Como diferenciar TDAH de má educação?


Mesmo o TDAH sendo reconhecido como um transtorno genuíno, com inúmeras pesquisas científicas e comprovações ao redor do mundo, ainda existe muito estigma, preconceito e falsos mitos ao seu redor. Muitas pessoas, inclusive profissionais da saúde e da educação, ainda negam a existência do TDAH, culpabilizando ainda mais os pais por uma suposta má educação. É claro que todas as crianças terão momentos de birra, situações de enfrentamento e comportamentos que julgamos inadequados, ou mal educados, e isso faz parte do seu desenvolvimento normal. Dessa forma, não estamos negando a possibilidade de haver crianças com TDAH mal educadas, nem afirmando que toda crianças mal educadas tem TDAH. Mas queremos reforçar a importância de se conhecer o TDAH e diferenciá-lo de má educação e preguiça. Grillo e Silva (2004) afirmam que “o reconhecimento das primeiras manifestações de condições que afetam o comportamento permitirá que, quando necessário, esses pacientes sejam encaminhados a diferentes profissionais para intervenções precoces que possam modificar o curso da enfermidade.”

má educação e tdah

Então como distinguir os sintomas do TDAH da falta de educação ou preguiça? Todos nós em algum momento da vida poderemos apresentar um ou outro sintoma de desatenção, hiperatividade ou impulsividade. Mas o que nos diferencia de uma pessoa com TDAH se resume a quatro palavras:

1. Frequência

2. Persistência

3. Intensidade

4. Prejuízos

A Academia Americana de Psiquiatria (2013) caracteriza o TDAH como um padrão persistente por pelo menos 6 meses, em um grau inconsistente com seu nível de desenvolvimento e que impacta negativamente atividades sociais, acadêmicas ou ocupacionais. Além disso, os problemas causados pelos sintomas acontecem em pelo menos 2 contextos diferentes (por ex., na escola, no trabalho, na vida social e em casa). Se a criança apresenta problemas em apenas um ambiente (ex. escola e não em casa), provavelmente seus comportamentos são resultado de alguma dificuldade com aquele contexto (ex. dificuldades de relacionamento com professores e colegas, bullying, etc).

Outro fato a se observar é se as dificuldades atencionais, de hiperatividade e/ou impulsividade não estão ligadas a algum evento familiar (ex. separação dos pais, morte na família, etc) e reflete um problema passageiro no comportamento. Por isso, outro critério para o diagnóstico é que os sintomas estejam presentes desde de fases iniciais do desenvolvimento (antes dos 12 anos). Portanto, a principal maneira de fazer uma distinção entre os comportamentos é a contextualização dos sintomas. É claro que toda essa investigação e contextualização dos sintomas, faz parte do processo diagnóstico e deve ser feita por profissionais médicos. Mas entender essa diferença é fundamental para desenvolver estratégias, especialmente em sala de aula. O diálogo constante entre pais, professores e profissionais da saúde é a melhor estratégia para identificar e tratar os problemas e os transtornos de comportamento.

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5 Comentários

  1. Lucia disse:

    No Brasil é tudo tão difícil nesses assuntos, ainda está muito atrasado o diagnóstico, até hoje não sei se eu e meus filhos temos tdah. Somos problemáticos e já fui em psicólogo; fono; neurologista; psiquiatra; psicopedagogia; mas nenhum diz o que temos com propriedade, so suposições… aff

  2. marcia disse:

    Esperava mais da matéria. Que pena! Nao foi esclarecedora. Continuo achando que muitas crianças sem limites são diagnosticadas com Tdah. É mais fácil o diagnóstico e a desculpa do que investir na educação.

  3. Carlos disse:

    Que pena, uma chamada interessante para um texto completamente fraco e sem embasamento nenhum científico, clínico.

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