TDAH no adulto: os primeiros passos


Estudos longitudinais têm demonstrado que o TDAH persiste na vida adulta em torno de 60 a 70% dos casos (Barkley, 2002), interferindo na vida acadêmica, profissional, afetiva e social. A avaliação precoce e o tratamento adequado podem reduzir significativamente os sintomas.

Aqui estão 10 estratégias comportamentais e mudanças de estilo de vida que não necessariamente eliminam o TDAH, mas podem ajudá-lo a se sentir melhor.

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1. Considere a medicação: Existem muitas evidências científicas sobre os efeitos benéficos do tratamento medicamentoso no TDAH. Estimulantes, como o metilfenidato (Ritalina® e Concerta®) e a lisdexanfetamina (Venvanse®), são os medicamentos de primeira escolha. Eles atuam sobre o sistema nervoso central, desencadeando reações químicas em pontos-chave do cérebro, que podem ajudar a aumentar a atenção e diminuir a impulsividade. Cerca de 70% dos pacientes respondem adequadamente aos estimulantes e os toleram bem (Spencer et al, 1996). É importante discutir as opções de tratamento com seu médico para determinar se você realmente precisa de medicação e qual é a mais adequada para você.

2. Pense em terapia: Se você não está entusiasmado com a ideia de tomar a medicação, você pode considerar a terapia cognitivo-comportamental. Este tipo de terapia tem como objetivo ajudar os pacientes a mudar o seu comportamento, centrando-se na auto-imagem e padrões de pensamento, bem como a superação de obstáculos na vida diária. Santos e Vasconcelos (2010) afirmam que “a terapia cognitiva apoia-se na compreensão de que o TDAH é função de um quadro de deficiência de estratégias cognitivas. Para tal, prioriza o seu desenvolvimento por meio de intervenções como: auto-instrução, registro de pensamentos disfuncionais, solução de problemas, auto-monitoramento, auto-avaliação e planejamento e cronogramas.”

3. Informe-se: Quanto mais você aprende sobre o TDAH, mais consciente você estará de seus sintomas, e quanto mais informações, melhor você lidará com o transtorno. Isso também pode diminuir sentimentos de vergonha ou culpa, pois os pacientes começam a entender que o tratamento do transtorno não é tão simples, como apenas se esforçar mais para prestar atenção ou se preocupar mais com o trabalho. Visite os sites de organizações que tratam sobre o transtorno (ABDA, ABENEPI, etc) e blogs escritos por pessoas com TDAH, leia livros e peça a um médico e profissionais fontes de informação adicionais.

4. Cultive relacionamentos: Os membros da família, amigos próximos e parceiros também devem educar-se sobre o TDAH, pois ele pode afetar as relações interpessoais. A vida conjugal, em particular, pode ser influenciada por comportamentos relacionados aos sintomas centrais. Segundo Biscaia e Kelmo (2013), “a impulsividade apresentada nos atos cotidianos pode ser marcada por um fator de desequilíbrio da relação conjugal podendo tornar até mesmo a comunicação agressiva. A desatenção remonta, muitas vezes, no TDAH, uma atribuição individualista. Essa atribuição deve-se a distração com os estímulos exteriores. Há também o entrave da dificuldade de ouvir, característica resultante da interação da impulsividade e da desatenção, onde o indivíduo está distraído com seus devaneios.” Por isso, algumas terapias ou aconselhamento familiar podem ser necessárias.

5. Organize-se: Se você se sente esquecido ou “com a cabeça nas nuvens”, tente escrever lembretes diários para compromissos, reuniões ou outra responsabilidades. O planejamento é condição necessária para o bom desempenho das pessoas com TDAH.

6. Diminua os distratores: A desatenção em adultos podem ser manifestadas em tarefas que exigem organização e sustentação da atenção ao longo do tempo e nas dificuldades com a memória. Mattos et al. (2006)  relatam que “adultos com TDAH têm uma capacidade inconsistente de se concentrar, mas são capazes de fazê-lo em circunstâncias específicas, como quando envolvidos em tarefas que lhe são particularmente estimulantes. Sua dificuldade torna-se mais evidente naquelas situações onde se encontram entediados ou distraídos por estímulos internos (emoções) ou externos, em níveis significativamente maiores dos que os observados na população em geral, comprometendo o desempenho nas tarefas.” Por isso, tente reduzir ao máximo as distrações ao seu redor, por exemplo: tente fones de ouvido para diminuir o ruído, se você trabalha em um escritório barulhento, quando você precisa se concentrar em casa, desligue a TV e deixe o telefone celular em outro quarto.

7. Pense antes de agir: Essa é uma estratégia particularmente difícil para os indivíduos com TDAH, que lutam constantemente contra sua fala e ações impulsivas. Porém,  tente parar para pensar antes de reagir de forma exagerada emocionalmente ou deixar escapar algum comentário inadequado no ambiente de trabalho. Pode ajudar tentar escrever sua primeira reação, antes de compartilhá-la.

8. Planeje com antecedência: Se você sabe que passará por situações que irão testar sua hiperatividade e desatenção, como uma longa reunião, faça um planejamento de como você irá lidar com essa situação: mantenha-se em movimento de forma que não incomode os outros, por exemplo, faça anotações, movimente-se secretamente (girar uma caneta em suas mãos debaixo da mesa pode ajudar), ou ainda, “jogue limpo”, diga às pessoas “Eu fico impaciente durante essas longas reuniões, por isso às vezes eu preciso me movimentar um pouco” (explique como isso faz de você render mais e fortalecer a equipe de trabalho).

9. Mexa-se: Exercite-se, além dos benefícios cardiovasculares e de saúde em geral, o exercício físico parece ser útil para atenção, concentração e aprendizagem. O exercício físico proporciona uma infinidade de efeitos benéficos contra stress, ansiedade, depressão, falta de controle de impulso e comportamento compulsivo, com a melhoria do funcionamento executivo e memória de trabalho, bem como melhora as condições para os familiares e cuidadores (Archer e Kostrzewa, 2012).

10. Treine seu cérebro: Embora pesquisas que sustentam essa estratégia sejam escassas, há teorias que enfatizam que exercícios mentais (através de ferramentas como palavras cruzadas ou jogos como Sudoku) possam melhorar os sintomas de TDAH, como a falta de concentração, pois estimulariam a criação de novas células cerebrais.

Você pode encontrar mais informações sobre como lidar com os sintomas do TDAH no adulto no site ABDA. Também seria muito bom ouvir suas opiniões e experiências a respeito desse assunto nos comentários do site.

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2 Comentários

  1. Eu... disse:

    Acho que meu caso é um dos piores!!

  2. CICERO disse:

    Eu tenho muito esse problema, quando estou bastante focado de repente vejo algo na internet e foge totalmente o que estava fazendo, dai começo a ficar minutos e minutos navegando naquilo que não era pra estar fazendo, e assim em outras coisas também como atividades em casa e outros.
    Decidi usar um método chamado GTD – A Metodologia de Gestão do Tempo de David Allen, e tem dado muito certo, baixei o aplicativo Evernote e comecei a organizar todos os passos da minha vida, todos os dias. Agora crio diversos textos no trabalho, no meu blog http://www.valordeplanosdesaude.com.br/ tem diversas matérias sobre dicas de saúde que também ajudam nessa fase de alimentação e meditação, AJUDA MUITO.

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