O TDAH em meninas e mulheres


O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), comumente diagnosticado em meninos e homens, é muitas vezes considerado um “transtorno oculto” (escondido ou sub-diagnosticado) em meninas e mulheres, o que faz com que elas sofram em silêncio. Sem tratamento adequado, muitas mulheres com TDAH apresentam problemas acadêmicos e psicológicos. Essa falta de reconhecimento pode ser parcialmente explicada pelos sintomas serem menos evidentes no sexo feminino. Em um estudo de meta-análise, Jonathan Gershon (2002) concluiu que, em comparação aos meninos com TDAH, as meninas com TDAH apresentaram menores índices de hiperatividade, desatenção, impulsividade e problemas de externalização. Por outro lado, meninas com TDAH mostraram maiores dificuldades intelectuais e problemas de internalização do que os meninos.

tdah em mulheres

Mas o que são problemas de internalização e externalização? Sousa e Moraes (2011) explicam que “os sintomas de internalização são aqueles percebidos pela criança e adolescente de forma subjetiva ou física, sem uma manifestação comportamental, necessariamente, associada a ele. Sintomas de ansiedade, depressão, retraimento, além das manifestações somáticas, são exemplos de sintomas desse grupo. Por outro lado, os sintomas de externalização são aqueles manifestados de forma claramente comportamental por meio de atos motores.

A agressividade e o comportamento delinquente são exemplos de sintomas desse grupo. De forma geral, sintomas de externalização geram maior impacto negativo sobre o ambiente. Já os sintomas de internalização geram maior sofrimento emocional e subjetivo para a própria pessoa”. Assim, os transtornos que coexistem em mulheres são muitas vezes diferentes daqueles observados em homens que têm TDAH. Maiores taxas de ansiedade, transtornos do humor e de abuso de substâncias, bem como dificuldades de aprendizagem, muitas vezes complicam o quadro. Por isso, os médicos têm o desafio de destrinçar os sintomas de TDAH e diferenciá-los dos sintomas dessas doenças coexistentes.

Meninas com TDAH geralmente trabalham mais para compensar ou ocultar seus sintomas em um esforço para atender as expectativas de pais e/ou professores. Elas, portanto, podem não demonstrar dificuldades escolares ou dificuldades na sala de aula durante os primeiros anos, mas conforme o tempo avança e as demandas ambientais aumentam, torna-se cada vez mais difícil para as adolescentes e mulheres com TDAH lidarem com o problema (Quinn, 2005).

Para uma mulher com TDAH o desafio mais doloroso muitas vezes é a luta contra seu próprio senso de inadequação no cumprimento de papéis, que ela sente que são esperados dela por sua família e pela sociedade. Por isso, é tão importante aumentar a divulgação e os estudos sobre os sintomas e os tratamentos do TDAH no sexo feminino. É importante reconhecer que, uma vez diagnosticado corretamente, o TDAH é uma condição tratável. Os resultados do tratamento permitem que as pessoas com TDAH possam dirigir melhor suas vidas e alcançar suas metas de forma realista. Mas primeiro, todos devem tomar consciência das várias apresentações do transtorno, levando em conta a variação entre os sexos e os estágios do desenvolvimento. Precisamos diminuir o stigma e cuidar melhor das meninas e mulheres com TDAH!

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2 Comentários

  1. RITA disse:

    Eu gostaria de saber como posso tratar e me desenvolver melhor sem medicação.

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