Como mostrar aos irmãos que eles também são importantes?


E o seu “outro” filho? Aquele que não é um desafio. Aquele em quem você não tem que se concentrar a cada segundo. Como mostrar aos irmãos que eles são também são importantes?

Quando uma criança tem TDAH geralmente a vida de toda a família é afetada: a criança, os pais, os irmãos e os avós. Os irmãos podem receber menos atenção por causa das necessidades imediatas e prioritárias da criança com TDAH. Muitos dos irmãos podem se sentir culpados por seus pais estarem sempre ocupados com a “criança problema”, por isso tentam agradá-los. Eles são então reconhecidos na família como “a criança fácil” ou o “bom filho”, e concluem que tem que ser “bons meninos para conseguir amor”. O custo destas conclusões pode aparecer tardiamente, quando eles crescem e não falam, nem pedem o que precisam ou querem. Eles muitas vezes tornam-se passivos; pessoas agradáveis, porém infelizes, que sempre colocam as necessidades dos outros em primeiro lugar.

Outro ponto importante a se refletir é que só porque uma criança não está exigindo atenção, não significa que ela não precisa disso. Toda criança precisa de atenção, carinho e reconhecimento. As crianças raramente sabem como dizer aos pais “eu preciso de um abraço” ou “eu preciso ser ouvido.” Elas não têm as habilidades de comunicação para pedir o que precisam e na maioria dos casos, provavelmente, nem sequer percebem que precisam. Estas crianças podem pensar “eu não sou importante” e  que “as necessidades das outras pessoas são mais importantes do que a minha” ou mesmo “A maneira de chamar a atenção é ficar doente”. Assim, o foco da atenção dos pais na criança com TDAH pode resultar em um sentimento de isolamento ou rejeição nos irmãos. Se as alterações comportamentais da criança com TDAH forem muito perturbadoras (como quando em comorbidade com transtornos de conduta e opositivo-desafiador), os irmãos podem sentir a perda de sua paz e tranquilidade, raiva, culpa ou ressentimento. O estresse dos pais também pode ser passado para o resto da família.

irmãos tdah

Embora a prática clínica mostre impactos significativos na dinâmica e na rotina familiar, ainda há poucos estudos dedicados aos relacionamentos entre irmãos e famílias de indivíduos com TDAH. As pesquisas nessa área revelam que irmãos de crianças com TDAH têm um risco aumentado para transtornos de conduta e emocionais (Szatmari, Offord e Boyle, 1989). Um outro estudo identificou os problemas mais significantes causados nos irmãos causados pelos sintomas e manifestações comportamentais do TDAH: vitimização, cuidado, tristeza e perda. Os irmãos relataram se sentirem vitimados por atos agressivos de seus irmãos com TDAH através de atos explícitos de violência física, agressão verbal, manipulação e controle. Além disso, os irmãos diziam que os pais esperavam que eles cuidassem e protegessem seus irmãos com TDAH por causa da imaturidade social e emocional associada com o transtorno. Além disso, como resultado dos sintomas de TDAH e conseqüente interrupção, muitos irmãos se descrevem como ansiosos, preocupados e tristes (Kendall, 1999).

Apesar de estarmos começando a aprender mais, ainda há pouca informação sobre o impacto de condições crônicas de saúde, tais como o TDAH e outros transtornos mentais e físicos, sobre os irmãos de uma criança. Alguns estudos descobriram que os irmãos de crianças com doenças crônicas são um pouco mais propensos a experimentar dificuldades, tais como problemas de comportamento, baixa auto-estima, timidez, dificuldades nas relações com os colegas, solidão, raiva, ansiedade, depressão ou baixo rendimento escolar. No entanto, nem todos os estudos descobriram estes efeitos negativos. Algumas pesquisas sugerem que os irmãos também são propensos a experimentar efeitos positivos, como maior compaixão, a longo prazo.

Ser pai e mãe de crianças com desafios especiais, tais como TDAH, autismo ou deficiência física, pode ser extremamente difícil, apesar de todo amor envolvido. As famílias podem ficar completamente absorvidas em lidar com o comportamento de uma criança. Mas, como pais, é preciso encontrar uma maneira de dar aos nossos outros filhos a atenção que eles merecem. Então, aqui estão algumas das maneiras que podem ajudar seu(s) “outro(s)” filho(s) a se sentir importante:

1- Um primeiro passo significativo é ensinar ao seu filho sobre o TDAH e as formas que o transtorno afeta a vida de seu irmão. Fale sobre mudanças e ajustes que a família terá de fazer. Crie um ambiente onde os irmãos saibam que é aceitável expressar seus sentimentos e emoções. Explore a percepção dos irmãos sobre o TDAH. Pergunte a eles o que eles desejam saber.

2- Diga ao seu filho que você sabe que seu irmão lhe toma boa parte do tempo e que isso pode não ser fácil para ele. Diga a ele que você gostaria de poder regá-lo com toda a sua atenção porque é isso que ele merece e que, quando você não pode, isso não significa que ele não é importante.

3- Na medida do possível, tente manter uma vida familiar razoável, apesar da perturbação causada pelo TDAH. Peça sugestões à equipe de tratamento, não tenha medo ou culpa em expor essa situação aos profissionais que acompanham seu filho com TDAH.

4- Rotinas consistentes são úteis não apenas para a criança com TDAH, como também são importantes para toda a família.

5- Ensine-os a olhar para dentro e descobrir o que eles precisam, e também uma forma de como pedir ajuda. Deixe-os saber que você pode não ser capaz de dar-lhes o que eles precisam imediatamente, mas você vai fazê-lo assim que puder.

6- Não lhe cause culpa, dizendo-lhes o quão difícil é para você e como você está exausta(o). Não use seu filho como confidente para consolá-la(o). Essa não é a sua função. Para isso use o seu cônjuge, um amigo ou um profissional.

7- Siga as mesmas regras para o comportamento em casa agora, como antes do diagnóstico. Regras e disciplina devem ser consistentes para toda a família.

8- Organize um “tempo especial para a família”, onde o foco seja a família inteira, e não apenas a criança com TDAH.

9-  Tente passar algum tempo a sós com seu outro filho com certa regularidade. Dê-lhe a oportunidade de expressar os seus sentimentos e emoções. Leve suas preocupações e necessidades a sério. Irmãos são muitas vezes “recompensados” por serem calmos e invisíveis; eles precisam de um tempo especial com seus pais.

10- Envolva-os na situação: deixe-os ajudar no cuidado de seu filho com TDAH ou assumir novas responsabilidades. No entanto, lembre-se de manter papéis familiares. Os irmãos mais velhos podem ajudar, mas não se deve esperar que eles passem a maior parte do tempo cuidando de seu irmão. Reconheça e recompense o irmão por sua ajuda.

11- O mais importante é encontrar uma maneira para você ter tempo livre para cuidar de si mesmo. É imperativo que você faça isso. Não importa quanta atenção o seu filho precise, você vai se tornar ressentido e exausto, se você não se permitir ter algum momento de prazer também. É essencial e vai fazer de você uma mãe ou pai melhor.

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