Ser mãe de TDAH


Ontem comemoramos o dia das mães, uma homenagem singela à mãe e à maternidade. Por isso, os posts dessa semana serão dedicados à elas. A postagem de hoje começa com uma discussão sobre o que é ser mãe (e pai) de crianças com TDAH e traz algumas reflexões e dicas para facilitar o dia-a-dia.

A maioria das mães são boas mães. Mas, se o seu filho ou filha tem TDAH, “boa” pode não ser suficiente. Para garantir que seu filho seja feliz e bem ajustado, agora e no futuro – e para criar um ambiente familiar tranquilo – você tem que ser uma “ótima” mãe. Para isso, você pode precisar de apoio e alguns de seus amigos podem não entender. Eles podem olhar para você como alguém que não sabe o que está fazendo, no entanto; nós sabemos que isso não é verdade. Felizmente, não é tão difícil se tornar essa “ótima” mãe. Para isso, algumas reflexões sobre a forma como se encara o problema são necessárias:

mães de tdah

1. Aceite o fato de que o seu filho – assim como todas as crianças – é imperfeito

Não é fácil aceitar que há algo não muito “normal” com o seu filho. Mas é improvável que uma criança que sinta o ressentimento dos seus pais – e seu pessimismo sobre suas perspectivas – desenvolva a auto-estima necessária para se tornar um adulto feliz. Segundo Silva (2003) críticas excessivas e falta de paciência, perfeitamente compreensíveis sob a perspectiva dos pais ou cuidadores, muitas vezes fazem com que a criança retraia-se, apresente auto-estima diminuída ou manifeste comportamento agressivo e impulsivo. Para uma criança a se sentir aceita e apoiada, ela precisa sentir que seus pais têm confiança em suas habilidades. Uma vez que os pais aprendem a olhar para os aspectos positivos do TDAH – coisas como energia excepcional, criatividade e habilidades interpessoais – eles podem ver o brilho dentro de seu filho. Faça o seu melhor para amar seu filho incondicionalmente. Trate-o como se ele já fosse a pessoa que você gostaria que ele fosse. Isso vai ajudá-lo a se tornar essa pessoa.

2. Não acredite em todas as “más notícias” sobre o seu filho

Não é bom ouvir os professores e funcionários da escola descreverem o seu filho como “preguiçoso” ou “mal-educado”. Mas não deixe os comentários negativos a impedirem de fazer tudo o que estiver ao seu alcance para defender as necessidades educacionais do seu filho. Afinal de contas, as crianças com TDAH podem ter sucesso se tiverem a ajuda de que necessitam. Embora seja verdade que a mente do seu filho funciona de forma diferente, ele certamente tem a capacidade de aprender e ter sucesso como qualquer outra criança. A Cartilha da Inclusão Escolar refere que “a diversidade infantil requer intervenções educacionais individualizadas para que todas as crianças, com desenvolvimento típico ou atípico, com ou sem deficiência, transtornos mentais ou de aprendizagem, tenham reabilitadas suas dificuldades, estimuladas suas habilidades e respeitada sua singularidade, viabilizando um desenvolvimento em plenitude.”

3. Não superestime a importância da medicação

Não há dúvida de que, para muitas crianças com TDAH, a medicação certa pode fazer uma enorme diferença no comportamento. Mas nem por isso deve-se considerar a medicação como o único fator importante, nem tampouco falar sobre isso perto da criança, deixando que ela sinta que o bom comportamento não está ligado aos seus próprios esforços. Quando encontrar seu filho fazendo algo que você pediu repetidamente para ele não fazer, lute contra a vontade de perguntar: “Você esqueceu de tomar o remédio hoje?” E nunca ameace aumentar a dose por ele ter feito algo inadequado. Declarações como estas podem dar ao seu filho a impressão de que seu comportamento é controlado exclusivamente por fatores externos. É responsabilidade dos pais deixar claro ao filho que a medicação pode melhorar as habilidades que ele já possui, mas não vai magicamente corrigir todos os problemas.

4. Certifique-se de que você sabe a diferença entre disciplina e punição

Quantas vezes você já se queixou a amigos ou familiares (ou até mesmo a um terapeuta): “Eu gritei, ameacei, joguei brinquedos fora, cancelei passeios, implorei e até mesmo bati, mas nada funciona!” Você consegue ver o problema com essa abordagem? Qualquer criança exposta a essas referências e comportamentos ficaria confusa. E uma das abordagens mais eficazes para a disciplina – o feedback positivo – nem sequer foi mencionado. Muitos pais usam os termos “disciplina” e “punição” indistintamente. Na verdade, eles são muito diferentes. Disciplina é preferível, porque ensina a criança como se comportar. Ela inclui uma explicação do comportamento inadequado e um redirecionamento para o comportamento aceitável com reforço positivo, cada vez que a criança faz uma escolha de bom comportamento. Castigo, por outro lado, utiliza medo e vergonha para forçar a criança a se comportar. Punição certamente tem seu lugar. No entanto, ela nunca deve envolver abuso físico ou verbal, e deve ser usada apenas como um último recurso. Por exemplo, se o seu filho continua a puxar o rabo de um gato, apesar de você ter dito repetidamente para não fazê-lo, ele deve ser punido. Uma excelente leitura sobre esse tema está no texto Educação sem violência. Porque bater não é educar…, do Blog Cientista que virou mãe.

Muitas vezes, a melhor maneira de disciplinar uma criança com TDAH é através de uma simples modificação de comportamento: defina metas atingíveis adequadas à idade e, em seguida, recompense sistematicamente cada pequena conquista até que o comportamento torna-se rotina. Ao gratificar o comportamento positivo (ao invés de punir o comportamento negativo), você pode ajudar seu filho a se sentir bem sucedido e aumentar ainda mais a sua motivação para fazer a coisa certa.

Outras atitudes importantes são:

1 – Nunca puna uma criança por um comportamento que ela é incapaz de controlar.

2 – Pare de culpar outras pessoas pelas dificuldades do seu filho.

3 – Não seja tão rápido ao dizer “não”.

4 – Preste mais atenção ao comportamento positivo do seu filho.

5 – Aprenda a antecipar situações potencialmente explosivas.

6 – Seja um bom modelo.

7 – Procure a ajuda de outras pessoas.

Deixem seus comentários sobre o que é ser mãe de um TDAH! Compartilhar experiências também pode ajudar a organizar seus pensamentos, acalmar angústias, trocar idéias e estratégias positivas.

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4 Comentários

  1. Bárbara Campos Gonçalves disse:

    Olá! Meu filho tem TDAH, já passamos por situações muito tristes, já foi excluído de passeios na escola, mudamos de escola inúmeras vezes, já deixei de sair de casa por causa dele, deixamos de ser convidados para festas, até familiares o discriminaram convidando o irmão para sair e não querendo o levar, fiquei numa situação complicada dividida entre, acabar privando o irmão por não deixar ele ir se o outro não fosse, mas decidi que eu é quem devo impor respeito. Eu respeito meu filho e não aceito que o desrespeitem. Ele está com a autoestima muito abalada, está atrasado na escola, apesar de ser tão inteligente não consegue acompanhar os colegas. Estamos fazendo acompanhamento com psicologo, psiquiatra, equoterapia, jiu jtsu, natação, ensino desenho e artesanato em casa, está tomando a ritalina, faço tudo que posso para incluí-lo e melhorar sua autoestima. Acredito que estou no caminho certo, mas ainda tenho muito medo de que ele sofra na vida, pq as pessoas não sabem lidar com as diferenças, tiro pelos professores que não fazem a mínima questão de incluí-lo, de tentar mudar a didática para ajuda-lo. Onde eu o vejo como um desafio para crescimento profissional do professor e eles o vêem como empecilho.

  2. Chris disse:

    Olá alguém conhece algum grupo de whatzapp que reúna mães de criança com Tdah?

    • Juliana Goulardins Juliana Goulardins disse:

      Oi Chris, não conheço grupos de whatsapp de mães, mas há muitos grupos assim do facebook, como por exemplo, o “TDAH/ Crianças especiais/ Pais Filhos”, “Tenho TDAH e agora?”, entre outros.

  3. Ana luiza disse:

    Oi bom dia! Eu sou mãe de uma criança com tdah e estou com muita dificuldade em saber como lidar com ele pois ele não tem regra nenhuma e eu gostaria de saber como eu poderia estar começando a estabelecer as regras para poder ajudar o meu filho

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