Atendimento de TDAH na Unidade de Hiperatividade em Portugal


Algumas pessoas me questionam sobre as formas de tratamento e abordagens do TDAH em outros lugares do mundo. Felizmente, o site Tudo sobre TDAH poderá compartilhar com os leitores como são tratadas algumas dessas questões em Portugal, com informações gentilmente cedidas pelo pediatra Dr. José Boavida Fernandes, médico do Hospital Pediátrico de Coimbra.

josé boavida fernandes

Em Portugal, a sigla utilizada para o TDAH é PHDA (Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção).  Recentemente, a Unidade de PHDA do Centro de Desenvolvimento Luís Borges do Hospital Pediátrico de Coimbra organizou o 5º simpósio sobre o tema. Em uma de suas palestras durante o evento, Dr. Boavida Fernandes revelou que a primeira consulta formal de hiperatividade no país ocorreu em 1989. Esta consulta foi desenvolvida em colaboração com a Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra. Os critérios diagnósticos utilizados desde o início foram os da Academia Americana de Psiquiatria (DSM). Porém, anteriormente as crianças com TDAH já eram acompanhadas no Centro de Desenvolvimento da Criança e sempre que necessário e adequado, medicadas com metilfenidato. O uso de psicoestimulantes veio melhorar significativamente a qualidade de vida de crianças e adolescentes com TDAH. Os benefícios do uso de estimulantes e mais recentemente da atomoxetina, são claros, melhorando significativamente o potencial de aprendizagem, o comportamento e a integração acadêmica e social destas crianças. O metilfenidato só começou a ser comercializado em Portugal em 2003.

A seguir seguem os aspectos gerais e consensos para o atendimento de TDAH na Unidade de Hiperatividade do Centro de Atendimento Luís Borges:

– O TDAH é um dos transtornos neurocomportamentais mais frequentes na criança e adolescente. É um problema crônico que pode persistir na vida adulta.

– É uma condição neurobiológica, com marcada etiologia genética, envolvendo disfunção de várias regiões específicas do cérebro, concretamente o córtex pré-frontal e suas conexões com os gânglios da base e cerebelo.

– A disfunção cerebral do TDAH envolve importantes áreas neurocognitivas (função executiva, memórias de trabalho, linguagem, etc.).

– O TDAH associa-se frequentemente a comorbidades, com relevância diagnóstica e terapêutica.

– Se a história médica e exame objetivo forem irrelevantes não há qualquer indicação para exames complementares de diagnóstico.

– Testes psicológicos não são necessários para o diagnóstico de TDAH, mas devem fazer parte da avaliação sempre que haja desempenho acadêmico insuficiente ou sugestão de baixa capacidade cognitiva.

– O plano terapêutico deve ser abrangente e ter como prioridade a melhoria funcional da criança.

– O tratamento psicofarmacológico inicial deve ser com um psicoestimulante. O metilfenidato tem padrões de eficácia e segurança ímpares entre os fármacos em geral e os psicofármacos em particular. A ausência de resposta satisfatória ou contra-indicações ao metilfenidato, deve levar ao uso da atomoxetina.

– Se houver uma resposta “robusta” à terapêutica farmacológica no TDAH não complicada, com melhora funcional significativa, o tratamento farmacológico isolado é satisfatório, não se justificando qualquer intervenção psicossocial.

Dr. Boavida Fernandes reforça ainda que a Unidade de Hiperatividade do Hospital Pediátrico de Coimbra, que ele orienta, tem um protocolo muito básico de atuação, em todos os casos. Depois, de acordo com a especificidade de cada situação, é possível ter outras abordagens específicas.

“Na verdade, em termos de fisioterapia / terapia ocupacional, ou outras terapias mais físicas, não somos muito bons. A avaliação e orientação das crianças, só envolve terapia física, se detectarmos perturbação da coordenação, disgrafia ou qualquer outra situação do tipo. Recomendamos em todos os casos, atividade desportiva, com o duplo objetivo de melhorar a condição física da criança, melhorar competências sociais, ocupação adequada e saudável de tempos livres e até de cansar crianças com excesso de atividade motora.”

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